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Reflexões de um Cachorro Louco

Ande na prancha… ou não! Ajude a Microsoft a eliminar a pirataria de software

Publicado em 01/03/2010 às 13:25

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Por Jon ‘maddog’ Hall

Já escrevi várias vezes sobre a “pirataria de software” e acho que muitos dos meus leitores já se cansaram de ouvir sobre ela, mas aconteceu uma coisa semana passada que me fez voltar a pensar na pirataria de software.

A Microsoft tornou a prevenção da pirataria de software uma coisa voluntária.

Claro que a Microsoft provavelmente dará uma explicação diferente, mas o que eles realmente fizeram foi postar uma “atualização” do Windows 7 com vários softwares anti-pirataria incluídos e dizer aos seus clientes que a instalação do software anti-pirataria era “voluntária”.

Provavelmente, isso ocorreu em resposta a outra vez em que a Microsoft tentou forçar goela abaixo, ahm... “distribuir” softwares anti-pirataria para Windows XP, mas na época chamaram de “correções de falhas críticas” e irritaram vários de seus clientes por instalarem as “correções de falhas” e ...alô! As “correções” não consertaram nenhum bug, e em alguns casos fizeram os sistemas dos clientes comportarem-se de formas muito ruins. Muito, muito feio, pessoal! E claro que os clientes da Microsoft também agira de formas muito, muito ruins.

Então, desta vez a Microsoft decidiu chamar o software anti-pirataria por seu nome verdadeiro e tornar a instalação “voluntária”.

Pense um pouco nisso... por que alguém (principalmente um pirata de software) instalaria voluntariamente softwares que fizessem seus sistemas pararem de funcionar?

Podemos aplicar a visão de Pollyanna, como tantas pessoas fizeram, valorizando a licença de seus sistemas, e os softwares anti-pirataria funcionariam perfeitamente e o seu sistema continuaria funcionando. Ou então, podemos usar a abordagem mais realista e dizer que o gerenciamento de licenças é difícil e custoso e que alguns dos nossos softwares talvez não estejam licenciados perfeitamente (embora a maioria sim) e somente alguns dos nossos softwares parararão de funcionar. Ou então, você pode usar a “Abordagem maddog de Menor Pollyanna” (AmMP, ou mOLP, na sigla em inglês) e dizer “mesmo que eu tente ter softwares completamente licenciados, meu chefe vai pensar que sou louco por instalar esse software anti-pirataria, e se eu fizer isso, estou frito”.

Você também pode usar a abordagem “Totalmente maddog” (Tm) e rir das pessoas que precisam pensar no assunto, porque você usa Software Livre... mas estou me afastando do assunto.

Infelizmente, não se trata de uma questão engraçada. A mesam empresa que inventou esse software anti-pirataria também é uma das patrocinadoras da Business Software Alliance. Muito embora a BSA tenha as mesmas iniciais de uma organização de jovens nos Estados Unidos, eles nada têm a ver com os escoteiros (Boy Scouts of America). A BSA vai à caça de piratas de software no mundo e os faz andar na prancha. Isso é feito para que organizações amigas dos usuários, como a Microsoft (um de seus patrocinadores), não tenham que ser vistas como malvadas. Lembre-se foi há apenas alguns anos a Microsoft prometeu ser “mais gentil e bondosa”, ou algo assim. Na verdade, acabei de conferir e foi 17 de julho de 2000. Então, eles tiveram dez anos para se tornar “mais gentis e bondosos”... mas estou me afastando novamente do assunto.

Por outro lado, há dois anos um projeto para entregar computadores baratos a excluídos digitais foi comprometido por uma delegação não tão “gentil e bondosa” que veio ver o presidente de certo país sul-americano. Quem me conhece provavelmente sabe de qual país estou falando...

A delegação “não tão gentil” (na verdade, no meu ponto de vista, eles foram bastante rudes e horrendos... mas admito que jamais os vi fisicamente) estava afirmando para o presidente desse país que usar Software Livre (software que incluía não apenas o sistema operacional, mas também softwares de escritório, bancos de dados, navegadores web seguros e vários outros programas inteiramente funcionais) nesses computadores era incentivar a pirataria de software!

O argumento apresentado (obviamente por pessoas que jamais venceram um debate na faculdade) foi de que assim que os computadores fossem entregues, 75% dos usuários retirariam o Software Livre e instalariam softwares proprietários piratas roubados do mesmo fornecedor. A solução, segundo o fornecedor, era instalar uma versão (quase nada funcional) do seu software a um custo baixo para o governo, o que também (evidentemente) manteria o Software Livre longe do sistema.

O presidente desse país bem grande e bem honesto não queria incentivar a pirataria de software, mas não sabia como repsonder. Felizmente, amigos do Software Livre me contactaram para perguntar o que eu achava dessa questão.

“Sr. Presidente”, eu disse, “a pirataria de software está em todo lugar. Até os Estados Unidos possuem (na época) uma taxa de pirataria de 34% (agora são 20%)”.

Naquela época, a taxa de pirataria desse país sul-americano era de 84% (agora são 58%), então certamente havia uma preocupação de que as pessoas que substituíssem o Software Livre de seus laptops se tornassem piratas de software.

Mas espere! Eu disse ao presidente que simplesmente oferecer nos laptops uma versão quase não funcional do software não impediria os piratas de software de roubar softwares, pois a primeira coisa que fariam seria piratear uma cópia da versão completa do software e instalá-la em suas máquinas, criando quase 100% de pirataria dos softwares daquela empresa (e de outras). O Software Livre, por outro lado, evitaria que 25% das pessoas pirateassem softwares ao oferecer-lhes uma alternativa perfeitamente adequada.

“Por último”, eu disse, “se essa empresa quisesse impedir que as pessoas pirateassem seus softwares, bastaria ativar por completo suas ferramentas anti-pirataria, e muitos deixariam de piratear seus softwares. Mas eles têm medo de fazer isso, pois a maioria das pessoas simplesmente adotaria Software Livre”.

O presidente olhou para mim e disse, “acho que vou gostar da visita deles”.

O que nos traz de volta a essa “atualização” da Microsoft para o Windows 7. O Windows 7 não está no mercado há tanto tempo. A Microsoft já teve bastante tempo para aperfeiçoar seus softwares anti-pirataria e implementá-los em seu produto básico. Por que não os implementaram no Windows 7? Por que não lançam legitimamente mais softwares anti-pirataria, marcados legitimamente como “correções de falhas”?

Estou fazendo perguntas retóricas? O sol é amarelo?

Então, por favor, todo mundo, certifiquem-se de que o software anti-pirataria da Microsoft esteja firmemente instalado na sua empresa, escola ou governo. Ative-o completamente. Teste-o para se certificar de que funcione adequadamente. Se ele não conseguir detectar softwares não licenciados, envie um relatório de erro. Dê alta prioridade a isso! Ajude a BSA a salvar o mundo!

Por outro lado, você poderia simplesmente usar Software Livre e praticamente ignorar tudo isso.

Carpe Diem!

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Comentários

Em 02/03/2010 às 16:27, vitorvieira escreveu:

Já sofri este Programa anti-pirataria!

Que estes fdp criaram!
Ai que raiva!
Porque até hoje não tinha tomado coragem e instalado um Linux como o Ubuntu no meu?
Será porque não tinha ainda conseguido um expert em Linux que me ajudasse?
Acho falta de uma “casa aberta permanentemente para nos ajudar a instalar Linux em nossas máquinas e nos atualizar em tudo que é Softwarte Livre! SOS!”

Em 04/03/2010 às 15:25, gmbastos escreveu:

Não sofra mais

Ao colega vitorvieira:

A internet é uma casa aberta permanentemente que ajuda efetivamente a obter as informações necessárias para aprender e manter-se atualizado sobre software livre. A internet conta com inúmeros repositórios de imagens de discos de instalação, tutoriais, manuais e fóruns que cumprem muito bem a missão de ajudar na instalação do sistema.

Basta procurar.

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