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Uma história de tirar o chapéu - Entrevista com David Mair, da Red Hat

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Publicado em 03/02/2012 às 15:33

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Por Kemel Zaidan, editor da Linux New Media.

David Mair é o Global Support Services Manager para a América Latina da equipe de engenharia de suporte da Red Hat. Em uma rápida passagem pelo Brasil, tivemos a oportunidade de entrevistá-lo e conversar sobre o mercado de software livre brasileiro, cloud computing e sobre o posicionamento da Red Hat em relação a essas questões. O resultado pode ser conferido por você nas próximas páginas.

Linux Magazine » Qual é a função de sua equipe? Como ela está organizada?

David Mair » Somos uma equipe global de engenheiros de software dentro da estrutura de suporte da Red Hat. Nossa principal função é encontrar e resolver problemas complexos diretamente no código dos produtos.

LM » Você deve ter contato com muitos profissionais que trabalham com o Linux. Como são esses profissionais no Brasil? São de alguma forma diferente dos de outros países?

DM » Eu falo regularmente com muitos profissionais no universo Linux, tanto dentro como fora da Red Hat. Tenho também uma equipe muito talentosa de pessoas de todo o mundo, mas eu sempre brinco que deve ter alguma coisa na água do Brasil que faz com que os usuários de aplicativos livres e abertos sejam seus defensores passionais. Possuo uma equipe de engenheiros brasileiros que são incrivelmente habilidosos, que não fogem de trabalhos com problemas de alto risco e parecem ter um apetite inesgotável por melhorar constantemente suas habilidades como engenheiros. Penso que o que torna o Brasil único é o fato do país, tanto o governo como as empresas e as pessoas, terem verdadeiramente adotado o software em código aberto e o potencial que ele possui. E ao fazerem isso, criou-se uma atmosfera que leva ao aprendizado e adoção dos princípios do código aberto.

LM » Quão importante é o mercado brasileiro para a Red Hat?

DM » Se considerarmos a posição do Brasil na economia global, eu diria que o mercado brasileiro é muito importante para a Red Hat, principalmente se considerarmos todo o mercado da América Latina. Mas dito isso, não existe de forma nenhuma uma classificação de quais países são mais ou menos estratégicos para a empresa. A Red Hat quer ter sucesso em qualquer mercado que o código aberto seja bem-vindo.

LM » Como vão os negócios da Red Hat no Brasil? A empresa está crescendo?

DM » Considero que a Red Hat está indo muito bem no Brasil e nós fomos muito bem recebidos pelo mercado brasileiro. Novamente, acredito que isso se deva como consequência da vontade e liderança do país em adotar os princípios do código aberto. Se considerarmos essas duas coisas, penso que a Red Hat deve continuar a prosperar no Brasil.

LM » Quais migrações você tem visto mais no Brasil e no mundo, de sistemas Windows para o Red Hat Enterprise Linux (RHEL), ou de sistemas Unix proprietários para RHEL?

DM » Bom, no princípio, muitas das migrações em que trabalhamos foram de plataformas Unix proprietárias ou de implementações completamente novas de soluções em que o Linux levava a melhor de outras plataformas. Hoje, eu percebo que há uma mistura de migrações de Unix proprietários e Windows. Penso que o Linux, não necessariamente apenas o Red Hat, já está provado e comprovado como uma plataforma empresarial viável e, como resultado disso, estamos vendo uma mudança, de grupos que adotavam tecnologias de ponta para mercados que posso chamar de mais “mainstream”. Essa é uma mudança que estamos vendo em todos os nossos mercados, e é realmente excitante estar na Red Hat e observar isso.

LM » O portfólio de produtos da Red Hat é muito grande. Quais são os mais importantes no momento?

DM » Suponho que eu possa dizer que é a plataforma, já que eu sou um cara das plataformas - mas eu provavelmente seria acusado de ser um pouco tendencioso. Não estou certo se posso afirmar que algum de nossos produtos é necessariamente mais importante do que outro. Há muito trabalho dedicado em todas as nossas ofertas de todos os aspectos de negócios. Agora, se você quiser saber qual de nossos produtos é mais excitante e estratégico, eu diria que é a computação em nuvem.

LM » A Red Hat possui alguma estratégia para o mercado de computadores pessoais e estações de trabalhos?

DM » Essa questão sempre me confunde. Quando alguém me pergunta se possuímos uma estratégia para computadores pessoais, parece que existe uma presunção de que o RHEL não pode ser executado em um laptop ou desktop. Nós já vendemos assinaturas para estações de trabalho, e elas são compradas e usadas bem frequentemente. Conheço organizações inteiras em nosso plano de consumidores que usam o RHEL do começo ao fim. Eu mesmo tenho usado RHEL ou Fedora no meu laptop por oito anos, já. Toda a Red Hat está usando o RHEL ou Fedora em suas estações de trabalho e laptops; então, eu posso afirmar de primeira mão, que a distribuição funciona em computadores pessoais. Penso que a confusão é porque não possuímos um plano para “desktops”, e isso é realmente um problema de semântica, em minha opinião.

LM » Você vê a Canonical como um competidor da Red Hat?

DM » Nesse momento, não considero a Canonical um competidor direto. Eles praticam uma estratégia de mercado completamente diferente que não os coloca frente a frente com a Red Hat. Eles poderiam ser um competidor direto no futuro? Possivelmente. Mas existem muitas variáveis em jogo e eu nunca fui um bom especulador.

LM » E quanto a Novell e o Suse Linux Enterprise?

DM » Historicamente o Suse tem sido um competidor do nosso sistema, e pensei que a aquisição dele pela Novell foi uma ação ousada e incrivelmente inteligente. Infelizmente essa fusão de Suse e Novell não funcionou. Do meu ponto de vista, pareceu uma oportunidade de ouro que foi desperdiçada para reinventar a Novell, muito parecido com o que a IBM fez com sucesso no começo da década de 90. Quanto ao futuro, e não querendo insultar a Attachmate, mas, eu nem mesmo sabia que eles ainda existiam. Attachmate é um nome que não escuto há muito tempo. Então, será interessante observar como essa história vai se desenrolar e o que farão.

LM » A Red Hat possui dois novos produtos para computação em nuvem: o Openshift e o Cloudstack. O que os diferencia dos produtos que já existem atualmente no mercado?

DM » O diferencial que a Red Hat está trazendo para a mesa, em comparação a outras soluções, é o mesmo que sempre vem trazendo em seus outros produtos: flexibilidade e escolha. Não estamos interessados em restringir nossos clientes; se você fizer isso vai descobrir que eles se sentirão como reféns. Eu poderia ver essa história se repetindo para sempre se não houvesse essa transição tecnológica fundamental para o código aberto. Os dias de ouro dos mainframes foram bem antes do meu tempo, mas a lição ainda é importante: restringir o que seu cliente pode fazer não é bom nem para ele, nem para o seu modelo de negócio. Penso que o mercado de TI exige esse tipo de liberdade agora. A questão aqui é que nossas soluções para computação em nuvem dão às empresas a flexibilidade e escolha para realizar qualquer tipo de mescla ou combinações que desejarem, graças aos padrões abertos e interoperabilidade.

LM » Com tudo se movendo para a computação em nuvem e, uma vez que nem todos vão se importar onde seus aplicativos são executados, você pensa que isso pode ser arriscado para o software livre e de código aberto?

DM » Na verdade, eu penso exatamente o contrário. Com essa mudança é mais arriscado ser um fabricante de produtos proprietários. Como eu já havia dito, penso que o mercado de TI está exigindo essa liberdade de escolha e flexibilidade. Se a solução oferecida ou o modelo de negócio da empresa for o de restringir o cliente com um pacote completo, ela será menos atraente. O que funcionou tão bem, para o software em código aberto nas camadas de plataforma e middleware, é igualmente aplicável à camada de computação em nuvem. Também penso que segurança da informação se tornará algo muito mais crucial, no sentido de quem realmente é proprietário dos dados presentes na nuvem. É a empresa? O provedor de nuvem? Que melhor maneira de verificar isso do que ser capaz de inspecionar sua nuvem diretamente em seu código-fonte? Penso, sim, que a nuvem traz algumas questões legítimas sobre propriedade e segurança dos dados e, que uma resposta como “confie em nós”, não será suficiente.


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